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(Esse umbigo todo mundo quer cuidar...)
Às vezes, quando vejo a forma como algumas pessoas dirigem fico pensando “como a humanidade conseguiu chegar até aqui?”. Nós sobrevivemos a várias hecatombes, guerras, genocídios, aos Trapalhões e chegamos ao século 21. Como isso foi possível?
Não sou historiador, nem cientista político, muito menos antropólogo, mas sou “transitólogo” um observador do trânsito e da sociedade que gira em torno e dentro do trânsito. E não consigo imaginar como chegamos aos dias de hoje nos comportando da forma como se faz no trânsito: cada um cuidando do próprio umbigo.
Não acredito que as primeiras organizações sociais na época do homem de cro-magnon sobreviveriam se eles não obedecessem alguma ordem. Não teríamos alcançado a fase do homem moderno se nossos vovôs vivessem isoladamente, cada um cuidando dos próprios piolhos.
O sociólogos a antropólogos dos anos 50 apostavam que a humanidade chegaria ao século 21 de forma muito mais organizada, partindo sobretudo de uma visão até romanceada do avanço da comunicação. E olha que eles nem conheciam a Internet! Os meios de comunicação daquela época, principalmente rádio e TV eram cotados como os maiores inventos no sentido de transformar o mundo em uma imensa aldeia global (Marshal McLuhan). Segundo McLuhan, se um pintor de parede na Sicília assobiava a nona sinfonia de Beethoven isso só era possível graças à globalização do mundo obtida graças aos meios de comunicação. E ele morreu sem conhecer o MSN, Orkut, facebook, Youtube e myspace...
E por que não chegamos na evolução? Por que não atingimos a sociedade asséptica e totalitária imaginada por George Orwell no clássico romance 1984 (escrito em 1949)? Do trabalho visionário de Orwell temos efetivamente a implantação do Grande Irmão (Big Brother), a total ingerência do Estado na vida das pessoas por meio de métodos eletrônicos de fiscalização. As câmeras que flagram se você pagou o IPVA em dia, o projeto de implantar chip transmissor nos carros para controlar a velocidade (y otras cositas más) de cada motorista são a concretização do 1984 imaginado por Orwell.
E o que essa papagaida toda tem a ver com o trânsito que mencionei lá em cima? De um lado temos as teorias da evolução do homem-social que deveria viver harmonicamente em sociedade. Do outro temos as teorias sobre o Estado oligárquico que deve ingerir e cuidar dos cidadãos como um grande pai (sim, porque irmão não cuida direito). Mesmo assim o desgraçado continua cortando caminho por dentro de um posto de gasolina só para não ficar 30 segundos parado no semáforo. Isso porque entra em cena outro conceito antigo, de cinco séculos antes de Cristo, quando Protágoras lascou “O Homem é a medida de todas as coisas”. Algo assim como se tudo de bom ou ruim no mundo fosse obra do Homem. Como carros, semáforos e marronzinhos são criação do Homem, o trânsito só é essa baderna irremediável porque o que circula são máquinas, mas conduzidas por pessoas.
Toda teoria científica sobre evolução do homem e da sociedade pode ser jogadas na lata do lixo porque evolução traz intrínseco o conceito de melhoria. E quem disse que as pessoas estão melhorando? Poderia gastar quilômetros de texto para conceituar o que é “ser melhor”, mas isso torrar-lhe-ia a paciência e ninguém chegaria ao segundo parágrafo (e meus leitores preferem o Tite versão comédia). Porque todas as teorias científicas não levam em consideração o nivelamento por baixo do Homem. E quando McLuhan imaginava que os meios de comunicação serviriam para criar uma humanidade melhor só esqueceu de levar em conta o conteúdo que esse meio traria ao público. Não consigo imaginar um programa como Pânico ser algo capaz de melhorar um cidadão. Ou como o pretenso humor-chic do sem graça CQC pode construir um mundo melhor. Como acreditar na evolução de uma sociedade diante de um apresentador de TV com gigantesca audiência que chama personalidades efêmeras sem um grama de cérebro aproveitável de “nossos heróis”? Herói de quem, cara pálida? Pobre McLuhan...
É, a ingenuidade científica dos anos 50/60 não foi capaz de prever o umbigocentrismo, conceito cada vez mais difundido pelo qual cada um cuida de si e danem-se os outros. Não confundir com Antropocentrismo, que é outra coisa. Estou falando de umbigo mesmo, aquele buraco na barriga cheio de flunflas. O umbigocentrismo define programação de TV com o propósito de ser algo vendável aos patrocinadores. É o umbigocentrismo que cria monstros como Galvão Bueno que se colocam muito acima do fato. Graças ao umbigocentrismo temos tantas ex-modelos apresentando programas de TV ou, pior: pessoas de caráter rasteiro apresentando programa infantil. É assim que teremos uma sociedade melhor? A categoria política adota o umbigocentrismo para trabalhar cada vez menos e ganhar cada vez mais. Porque precisam manter limpos e perfumados os próprios umbigos, danem-se os outros.
Quando a NSK rolamentos me pediu para fazer uma palestra sobre segurança no trânsito passei dias analisando o público para criar algo que fosse direcionado ao público deles e não algo pronto sem identidade. Na primeira tela aparecia um filme bem conhecido do Youtube com o texto “O trânsito nada mais é do que um conjunto de regras para permitir a organização social. E como tal exige atitudes como educação, respeito ao próximo e amor à vida”.
Olhe à sua volta, não agora, mas quando estiver no meio do trânsito e responda sinceramente: você vê educação, respeito ao próximo e amor à vida? O que vemos é a prática do umbigocentrismo. Se existe o Grande Irmão, serve apenas para fiscalizar se ninguém está lesando o Estado, porque o Estado também cuida muito bem do seu umbigo. Mas na hora de saber quem respeita e quem desobedece a vida em sociedade essas câmeras estão sempre sem foco. Se você sair de carro com o IPVA atrasado as câmeras te pegarão, mas se na mesma rua, sob a mesma lente, você estiver falando no celular, pode ficar sossegado porque isso não é da conta do umbigo estatal.
(Galinha velha?)
A temporada 2009 da MotoGP começou muito equilibrada, como sempre. A prova de abertura, no Qatar, mostrou quem tinha as melhores cartas. O levíssimo Casey Stoner (51 kg) colocou sua Ducati na primeira posição, seguido das Yamaha de Rossi e Lorenzo. Desde os treinos pré-temporada já se sabia que estes três seriam os sérios candidatos a título e vitórias. Correndo por fora outro pequeno, o espanhol Dani Pedrosa (1,60m) que está devendo uma temporada brilhante na Honda desde a sua estreia na MotoGP em 2006.
Foi na segunda etapa, no Japão, que Lorenzo colocou as manguinhas de fora. Após vencer, com o campeão Rossi a 1,3 segundo, o espanhol passou a liderar o mundial com um ponto de vantagem sobre Rossi e deu a polêmica entrevista, afirmando que a Yamaha teria arriscado demais colocando um galo novo dentro do galinheiro. Rossi foi mais político e afirmou que ter um companheiro como Lorenzo era “um estímulo a buscar cada vez um limite mais alto, um bom desafio”. Nada como ter uma língua domesticada.
Que Jorge Lorenzo é rápido, ninguém duvida afinal ele foi bi-campeão na 250cc, somando 17 vitórias na categoria. Vê-lo pilotar assusta, porque está quase o tempo todo no fio da navalha, no limite máximo da moto, dos freios e dos pneus. E quem vive perto demais do abismo uma hora cai. Seu histórico de quedas em 2009 começou justamente na prova caseira, o GP da Espanha, deixando a vitória e os 25 pontos adicionais para o Rossi.
O equilíbrio não demorou muito. O tumultuado GP da França, com pista ora molhada, ora seca, foi daquelas provas para assistir em pé. Rossi caiu, voltou, mas não pontuou. Lorenzo venceu, empatou a classificação e o italiano Marco Melandri deu à equipe não oficial Kawasaki a segunda posição, melhor resultado da temporada. Foi a festa, porque no final de 2008 a Kawasaki anunciou sua retirada do mundial, mas permitiu que uma equipe particular, apoiada pela fábrica, mantivesse a estrutura. Melandri – que nas horas de folga é DJ, e dos bons – fez várias provas espetaculares e provou que a saída da Kawasaki foi precipitada.
E veio o GP da Espanha...
Era a 24ª e penúltima volta do GP da Catalunya, Espanha, sexta etapa do Mundial de motoGP. Desde a primeira volta os dois pilotos da equipe Yamaha, o italiano Valentino Rossi e espanhol Jorge Lorenzo trocavam de posição ferozmente em um duelo fratricida, que poderia acabar com os dois fora da prova, dando a vitória ao australiano Casey Stoner, da Ducati. Se a corrida terminasse com estes três pilotos nas três primeiras posições a tabela do mundial de MotoGP ficaria empatada em 106 pontos.
(Lorenzo, o galo novo...)
O circuito catalão tem 4.655 metros, 16 curvas e uma longa reta. A última curva, que antecede a reta de chegada é rápida e ninguém imaginaria uma ultrapassagem naquele ponto. Quer dizer, quase ninguém!
Quando Lorenzo entrou na chicane New Holland em primeiro lugar o público já festejava a vitória do piloto local. Mas aí veio o golpe que já vitimou outros astros do motociclismo mundial, como Sete Gibernau e Casey Stoner: Rossi achou um ponto de ultrapassagem inimaginável e passou por Lorenzo para receber a bandeirada em primeiro lugar com ridículos 0,095 segundo de vantagem. Com Stoner em terceiro o mundial apresentou os três pilotos empatados.
(Stoner, doente ou oportunista?)
O campeonato seguiu disputado a cada a etapa, até que duas quedas seguidas de Lorenzo (Inglaterra e República Checa), deixaram Rossi com 50 pontos de vantagem e a sensação de colocar mais um título no bolso. Nesta altura do campeonato uma surpresa: o australiano Casey Stoner já dava sinais de algum problema físico ou emocional porque seus resultados foram piorando. Alguns acenavam como uma possível “síndrome de Rossi”. Essa “doença” ataca pilotos que de alguma forma sofreram ultrapassagens cinematográficas do campeão Rossi e que caíram em depressão. Mas não foi o caso. Afastado por três etapas para tratar uma desconhecida virose, o problema de Stoner foi diagnosticado como falta de potássio. Fosse ele chegado às festas populares, saberia que a receita para aguentar quatro dias de carnaval em Salvador sem ter câimbras inclui uma dieta à base de banana e água de coco, ricos em potássio!
Quando tudo caminhava para um final de temporada sossegado para Rossi embolsar o sétimo título mundial da categoria veio a corrida de Indianápolis. E o inesperado aconteceu: Rossi caiu, deixando o caminho livre para uma vitória do rival, Jorge Lorenzo. O primeiro a admitir a “burrada” foi Valentino que apareceu na etapa seguinte, em San Marino, com o burro do desenho Shrek pintado no capacete. Venceu a corrida no principado e levou a ironia ao pódio, quando apareceu com um enorme par de orelhas de burro preso à cabeça. Em suma, consertou a burrada e ainda capitalizou em cima do erro, em uma genial demonstração de marketing pessoal.
O GP de Portugal marcou a volta de Casey Stoner ao posto de primeiro piloto da Ducati. Refeito da suposta doença, Stoner terminou em segundo atrás de Lorenzo e à frente de Pedrosa. Rossi, muito mais tranquilo e pensando no campeonato, terminou em quarto e manteve viva a esperança de engolir o galo novo.
Não deu outra. A etapa da Austrália colocou ordem no galinheiro. Stoner voltou a vencer e mostrou ao mundo como potássio é importante na corrente sanguínea. Rossi terminou em segundo e praticamente botou as duas mãos na taça e Lorenzo, bem, o espanhol mais uma vez comprou um terreno logo na primeira volta do GP da Austrália. Na penúltima prova, na Malásia, Rossi fechou a fatura, colocou mais um título na prateleira e o “adoecido” Stoner venceu a segunda consecutiva. Na última etapa, em Valência, diante do público espanhol, finalmente Dani Pedrosa conseguiu uma vitória que o colocou em terceiro na tabela final do campeonato. Tudo bem que teve uma ajuda importante da Ducati. Sim, a Ducati do Stoner, que fez a pole position e rumava para a terceira vitória consecutiva, mas os pneus não se aqueceram o suficiente na volta e Stoner caiu antes mesmo de largar. Frustração total, mas essa prova serviu para marcar a estreia do americano Bem Spies, campeão mundial da Superbike. Olho nele em 2010!
(Stoner e Livio Suppo, troca de acusações...)
Ainda sobre a misteriosa doença de Casey Stoner, houve também uma suspeita perigosa, a de que o piloto teria feito uma espécie de greve. Ao saber que a Ducati fez um convite informal para Lorenzo correr na equipe em 2010 por oito milhões de Euros, Stoner estrebuchou, afinal ele praticamente domesticou a Ducati e recebeu modestos 1,5 milhão de Euros em 2009. De repente o australiano adoece, fica três provas em casa e, como se viu, ninguém o substituiu à altura. O capo geral da equipe Ducati, Livio Suppo, acusava-o de ficar horas sem comer e se alimentar à base de junkie food, o que é uma heresia para qualquer italiano. Até que o pequeno comedor de hambúrguer reaparece e arranca duas vitórias consecutivas. Recuperou-se rápido, não? Coincidentemente, ao final da temporada, Livio Suppo anunciou sua transferência para a Yamaha. Especulações à parte nem Lorenzo foi para a Ducati e nem Stoner estava tão fraco assim...
(Ninguém duvida de Doviziozzo)
Na categoria 250cc o surpreendente japonês Hiroshi Aoyama deu o título para a Honda, com uma moto privada de 2007, lutando contra o cabeludo Marco Simoncelli (Gilera). Na 125cc, o veterano ex-campeão mundial Jorge “Aspar” Martinez viu o resultado de um longo trabalho de formação de pilotos dar resultado. Aspar criou um campeonato na Espanha para revelar novos talentos e seus dois pilotos terminaram o mundial de 2009 com os primeiros lugares, com o não tão jovem espanhol Julian Simon (22 anos) em primeiro e o inglês Bradley Smith em segundo. Simon foi o responsável pela grande salamada da categoria em 2009. No GP da Catalunya ele estava liderando e quando entrava na última volta confundiu a placa de tempo com a bandeira quadriculada e tirou a mão achando que tinha vencido a corrida. Mas ainda faltava uma volta... Mesmo assim terminou em quarto lugar.
(A gente entende um pouco dessa coisa.)
Amigos leitores não percam nesta quinta-feira, dia 12, às 22:00 horas, no canal SporTV, o programa Linha de Chegada, do Reginaldo Leme. Será um especial sobre o Mundial de MotoGP, com a participação dos comentaristas Fausto Macieira, Lito Cavalcante, Claudio Carsughi e eu!!! Sim, eu mesmo! Finalmente a Globo me descobriu e nem precisei pagar o mico de aparecer no Big Brother.
Não percam, e numa versão 2.0 com bigode (pra ficar parecido com a minha avó).
(Até na publicidade incentivam o uso de película escura)
Amigo leitor, quero ser fora-da-lei. Quero falar no celular enquanto dirijo. Quero estuprar minha secretária gostosa dentro do carro em praça pública. Quero fazer um seqüestro relâmpago e ficar rodando com a vítima por vários caixas eletrônicos sem ninguém perceber. Quero também tirar meleca do nariz no trânsito e quero jogar meu carro em cima dos pedestres quando estiver passando no farol fechado.
Pra fazer tudo isso sem ser incomodado só preciso mandar colar a película escura com 5% de transparência nos vidros do meu carro. Pelo menos essa é a receita que os motoristas brasileiros estão usando largamente, desde que trouxeram esse produto pro mercado.
A película solar, conhecida popularmente como insulfime, nasceu para ser usada em construção civil, sobretudo nos países de clima quente, para refratar parte da luz do sol nas grandes áreas envidraçadas. Logo depois começou a ser usada em veículos com o mesmo propósito de reduzir a temperatura interna. Até que chegou no Brasil...
Ah, Brasil, esse país onde tudo é ao contrário! Aqui a película logo virou sinônimo de privacidade e segurança. Num país no qual a segurança pública é apenas um nome no papel para gerar burocracia, cada um cuida do próprio umbigo, mesmo que isso signifique detonar umbigos alheios. Nessa filosofia do “Deus criou a vida pra que cada um cuide da sua”, moradores fazem lombadas por conta própria, instalam guaritas na calçada impedindo a passagem de pedestre e abusam da película solar mais escura possível, mesmo que naquela coisa abstrata chamada Lei o mínimo permitido seja 75% de transparência.
Vejamos os argumentos a favor da película escura mais usados pelos defensores dessa praga:
1) Reduz a insolação e aumenta o conforto térmico. É a ÚNICA argumentação válida. Mesmo assim, o ar-condicionado serve justamente pra isso.
2) Aumenta a segurança, sobretudo de mulheres, porque o meliante não pode ver se o motorista é masculino ou feminino. Totalmente inválida, esfarrapada e comprovadamente falsa. Recentemente a Rede Globo flagrou uma cena típica paulistana: durante um engarrafamento quatro mulheres sofreram saques em um arrastão relâmpago. TODAS (100% da amostragem) estavam em carros com vidros “filmados”, que não impediram os trombadinhas de quebrarem os vidros e levarem as bolsas. Portanto, essa teoria é falaciosa, porque bandido é fora-da-lei, mas não é burro e ele olha através do pára-brisa, que não pode (ou não deveria) receber a tal película.
(quem está dentro não quer aparecer)
3) Aumenta a privacidade, quem está fora não vê quem está dentro do carro. Conversinha mole da pior espécie. A menos que sejamos uma população de loucos insanos, baba-ovos de celebridades essa teoria não pode ser levada a sério. Bom, numa cultura que celebra ex-Big Brother como “nossos heróis”, sou obrigado a concordar que é melhor ficar escondido. Mas espera aí: o sonho de toda baranga e lavador de carro não é virar celebridade? Então pra quê se esconder justamente quando alcança o objetivo? E para derrubar de vez essa teoria recorro à Rede Globo para comprovar que isso é uma grande bobagem. Naquele triste episódio no Rio de Janeiro no qual um policial atirou no carro errado e acertou uma criança, um alto-patente da poliça declarou que o policial se confundiu porque “o carro tinha insulfilme e não pôde ver os ocupantes”. Ok, nem todo mundo vai morrer baleado por causa da película, mas da mesma forma que um lado da poliça defende a película como “proteção”, outra parte já declarou que o filme dificulta a avaliação do policial, que não consegue identificar quem está dentro do carro. Inclusive os bandidos preferem roubar carros filmados por dificultar a identificação dos ocupantes. O mesmo motivo leva os bandidos a escolherem carros filmados para executar seqüestros relâmpagos, afinal podem passear à vontade com a arma apontada pra cabeça da vítima porque ninguém está vendo mesmo! Afinal: aonde está essa segurança defendida pelos usuários de película?
Para finalizar, associada à outra praga do trânsito, o telefone celular, a película permite que motoristas falem livremente, quando, onde e quanto quiser, enquanto dirigem porque nenhum agente fiscalizador será capaz de perceber, já que está tudo escuro mesmo.
Além de toda essa exposição de motivos, a redução da transparência, sobretudo à noite dificulta demais a visão de quem está dirigindo. Ainda mais com uma população de motoristas que confunde lanterna com farol baixo. Ninguém é capaz de provar cientificamente que a película não reduz a acuidade visual. É inimaginável aceitar que essa praga continue aumentando sem que nenhum administrador público perceba o real risco que representa.
Para piorar, as fábricas agora estão usando película escura nas fotos de promoção de seus carros! Peugeot e Renault só publicam fotos de publicidade com carros “filmados”. Recentemente no lançamento do VW Fox segunda geração, durante a festa de apresentação, eu cutuquei o meu amigo Bob Sharp e comentei “repare que todos os carros estão com película, é a fábrica incentivando o errado”. Seria o equivalente à Honda veicular anúncio na TV com os motociclistas todos sem capacete!
Quer saber do pior? Se você, amigo leitor motociclista, for parado em uma blitz policial usando um capacete com viseira escura, levarás uma multa de mais de R$ 500,00, acrescida da apreensão da carteira de motociclista/motorista. Acredita? E quem pode falar em Justiça num país deste???
("Então, aí vc joga o limão, espreme e repara na centrifugação quando mexe com a colher!)
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